2025: Um ano crucial para os Minorsens
Durante o último ano, identificámos e iniciámos o estudo de seis novas castas minoritárias originárias de Castela e Leão. Atualmente, trabalhamos com 21 castas de Castela e Leão (incluindo 3 sinónimos) e 8 castas minoritárias do Norte de Portugal, num total de 29 castas minoritárias resgatadas, estudadas e promovidas. Fizemos progressos significativos na calibração do nariz e da língua eletrónicos, estabelecendo correlações matemáticas entre os dados obtidos através das análises químicas tradicionais e as novas tecnologias que estamos a desenvolver. Dispomos de uma grande quantidade de dados para treinar os sistemas, pelo que o trabalho desenvolvido nos últimos meses tem sido (e continua a ser) muito intenso.
Um momento crucial foi, sem dúvida, a sessão informativa Minorsens, realizada em Abril (a meio do projecto), dirigida aos viticultores e produtores de uva da área de cooperação transfronteiriça. Durante este evento, pudemos constatar o grande interesse que as castas minoritárias despertam e a importância da inovação e da investigação neste sector.

O ano de 2026 começa repleto de desafios e com a promessa de resultados promissores. Os vinhos de 2025 já estão engarrafados e a aguardar análise, marcando o terceiro ano de recolha de dados. Atualmente, estamos a trabalhar na publicação de diversos artigos científicos que contribuirão para alargar o conhecimento no mundo da viticultura e da tecnologia de sensores, com aplicações práticas no setor vitivinícola.
Conhecer os vinhos Minorsens: Notas de prova de algumas das castas resgatadas.
Durante estes meses, estivemos a conhecer as características organoléticas das variedades em estudo e gostaríamos de partilhar convosco algumas das mais notáveis:
Puesta en Cruz (safra 2024): Trata-se de uma casta branca minoritária da região de Arribes del Duero (Castela e Leão), que apresenta um clima e solo muito distintos, bem como um método de cultivo único, caracterizado por pequenas vinhas, tipicamente localizadas em encostas em socalcos. No nariz, este vinho oferece aromas de ervas e frutos, expressando-se de forma diferente dos outros vinhos brancos. Combina a amplitude na boca com frescura e um final muito persistente. Esta casta apresenta um potencial de envelhecimento considerável devido à sua elevada acidez e baixo pH.
Boal (safra 2024): Uma casta branca do norte de Portugal que obteve uma boa classificação nas provas de degustação realizadas no âmbito do projeto. O aroma caracteriza-se por notas de frutos brancos e cítricos. No paladar, destaca-se pelo corpo e acidez, com um final persistente.
Cenicienta (safra 2024): Uma casta tinta da D.O. Rueda (Castela e Leão) resgatada de apenas duas vinhas. Apresenta uma intensidade aromática média-alta, com notas de frutos negros e pimenta preta, transmitindo frescura. No paladar, é muito persistente, com taninos maduros. Esta casta possui um grande potencial enológico.

